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Em 1947, a indústria de carvão do Reino Unido foi estatizada pelo governo trabalhista do primeiro-ministro Clement Atlee, seguindo o plano de reconstrução da economia britânica no imediato pós-guerra sob as diretrizes do Estado de bem-estar social. Décadas mais tarde, em 1979, Margaret Thacther liderou os conservadores à vitória eleitoral com uma plataforma de desmonte da estrutura social que havia proporcionado os mais altos padrões de vida experimentados pela classe trabalhadora britânica até então. Vivia-se, naquele momento, uma profunda crise econômica iniciada na da década anterior e, em resposta, se iniciava a introdução do modelo neoliberal.

Seguindo seu plano, Thatcher decide, em 1984, privatizar ou encerrar a atividade de inúmeras minas de carvão do país, sob a justificativa de que a produção se tornara ineficiente e excessivamente dispendiosa. Em resposta, os mineiros iniciam uma série de movimentos grevistas, levando a União Nacional dos Mineiros a convocar uma greve geral que duraria um ano e chegaria a envolver 142 mil trabalhadores.

Além de fechar minas, o objetivo de Thatcher e dos conservadores era o de atingir em cheio o sindicalismo britânico. Após severos embates e nenhuma negociação, esse objetivo foi alcançado e o poder do movimento popular e dos sindicatos foi drasticamente diminuído dali para frente Diversas indústrias e serviços então na mão do Estado foram privatizados. Contudo, a economia britânica jamais voltou ao mesmo patamar de estabilidade observada nas primeiras décadas da segunda metade do século XX.


Reportagem produzida pelo canal estatal britânico "Channel 4", documentando 
a greve geral dos mineiros britânicos.

Vídeo de protesto rememorando a greve e a repressão do governo

1993: greve na Rede Manchete


Em 1992, a Rede Manchete atravessava uma grave crise financeira. Nos anos anteriores, a emissora havia investido alto na produção de telenovelas de sucesso, como Pantanal (1990). Entretanto, toda a reestruturação planejada pelo dono da concessão, Adolpho Bloch, não dera os retornos desejados, e a TV Manchete perdera a vice-liderança de audiência para o SBT de Silvio Santos. Como saída à crise, Bloch negociou a venda da emissora ao grupo IBF (Indústria Brasileira de Formulários), presidida pelo empresário Hamilton Lucas de Oliveira. Na venda, 670 funcionários foram demitidos e a base de operações transferida do Rio de Janeiro para São Paulo.

Na tarde do dia 15 de março de 1993, os funcionários da Rede Manchete de São Paulo retiram a programação do ar como resposta ao atraso do pagamento dos salários. Após a veiculação de um manifesto por escrito, os grevistas passaram a transmitir sua própria mobilização. Além da denúncia do sucateamento da empresa e dos danos acarretados sobretudo aos funcionários, o movimento também abordou o tema da democratização dos meios de comunicação.

O desfecho da situação acabou favorecendo a recuperação da Rede Manchete pelo grupo Bloch através de decisão judicial. Entretanto, a crise se arrastaria até o final da década de 90, quando a falência foi decretada e a concessão transferida ao grupo de Amilcare Dallevo, que substituiu a TV Manchete pela Rede TV!, em 1999.

  


1988: greve dos trabalhadores da CSN


Volta Redonda, novembro de 1988. Trabalhadores da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) entram em greve em resposta à política de arrocho salarial imposta pelo governo do presidente José Sarney. O sindicato exigia, dentre outras reivindicações, reajuste salarial, estabilidade do emprego, jornada semanal de 40 horas, fim da perseguição política e reconhecimento da representação sindical. Após os primeiros atos de repressão contra as manifestações dos trabalhadores iniciados pela Polícia Militar, a CSN é ocupada pelos grevistas no dia 7. A direção da empresa, então estatal, solicita à Justiça reintegração de posse. Após a invasão do exército, no dia 9, o saldo é de três mortos e centenas de feridos. O movimento grevista segue adiante e passa a contar com forte apoio da população de Volta Redonda, que se manifesta através de um abraço simbólico em torno dos 12 quilômetros da usina. A repercussão nacional e internacional é grande, mas governo e exército, cada vez mais deslegitimados, seguem culpando os grevistas pela violência ocorrida. A greve chega ao fim no dia 24, após intensas negociações e vitórias parciais do movimento grevista.

Essa foi a primeira vez que as Forças Armadas entraram em cena para reprimir trabalhadores desde a instauração da Nova República, em 1985. Os episódios em Volta Redonda demonstraram que as elites políticas que dirigiam o processo de transição do regime não abririam mão da violência direta contra a classe trabalhadora organizada, tal como ocorrera durante a ditadura militar. No governo do presidente Itamar Franco (1993-1994) a CSN seria privatizada.