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A infância não passou incólume às transformações da sociedade brasileira após o golpe civil-militar de 1964. Moldar o imaginário infantil era algo que também se inseria na construção de um consenso em torno de valores conservadores e autoritários. Criado em 1966, o programa infantil Clube do Capitão Aza se destacou neste processo, valendo-se das inovações da mídia de massas e dos novos produtos culturais exportados pela TV norte-americana (como desenhos animados de super-heróis).

O programa estreou na TV Tupi dois anos após o golpe, perdurando até 1979, ano da promulgação da Lei de Anistia. Sua principal atração eram os desenhos animados, além das muitas mensagens proferidas pelo apresentador e delegado de polícia Wilson Vasconcelos Vianna, que interpretava o Capitão Aza (também auto-intitulado capitão em chefe das forças armadas infantis do Brasil).

No vídeo postado, é possível perceber um linguajar inspirado no militarismo, bem como a tentativa de forjar um sentimento de integração nacional, um dos fundamentos da propaganda do regime militar e da sua "Doutrina de Segurança Nacional" (há ainda uma saudação ao então presidente Emílio Médici). Nas datas festivas, como o 7 de Setembro, o Capitão Aza participava dos desfiles das Forças Armadas na Av. Presidente Vargas, no Rio de Janeiro.

Nas suas ações mais perversas, este misto de super-herói ianque e militar latino-americano estimulava os telespectadores infantis a reportar às autoridades policiais eventuais comportamentos suspeitos dos seus pais, como participação em reuniões, contato com pessoas "estranhas", etc. A intenção, se dizia, era a de ajudar a família.






Na noite de 10 de abril de 1972, em Los Angeles, durante a 44º cerimônia de premiação do Oscar, Charles Chaplin subia ao palco para receber o prêmio honorário da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas por sua “incalculável contribuição à arte do cinema".

Era um momento histórico. Chaplin fazia breve retorno de seu exílio na Suiça, após 20 anos de banimento dos EUA em consequência das duras perseguições dos anos de Marcartismo. No pós-Segunda Guerra, o artista havia sido incluído na lista dos perseguidos de Hollywood devido aos seus posicionamentos políticos e ao caráter crítico de suas obras. Em 1952, as acusações feitas pelo Comitê de Atividades Anti-americanas, que era presidido pelo senador Joseph McCarthy, levaram à proibição do regresso de Chaplin aos EUA, após ter realizado uma viagem à Inglaterra.

Quando convidado a receber a honraria em 1972, Chaplin não a recusou. Em seu breve discurso de agradecimento, muito emocionado, demonstrou não guardar rancores. Seguiu-se uma ovação que durou cerca de 12 minutos. Muitos consideram esse o momento mais marcante das cerimônias do Oscar. O roteirista Daniel Taradash, que entregou a estatueta, relembrou frases célebres de Chaplin em "O grande ditador" (1940). Eis uma passagem ainda muito atual do discurso presente no filme:

"Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades. O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido."

Charles Chaplin morreria 5 anos depois na Suiça, em 25 de dezembro de 1977, aos 88 anos.