Com o desmoronamento da União Soviética, em 1991, e a subsequente restauração capitalista, a Rússia sofreu um acelerado processo de adequação ao modelo econômico neoliberal. Setores da burocracia estatal se acotovelavam em torno da apropriação privada dos recursos econômicos do país e de outras ex-repúblicas soviéticas ainda sob influência russa. Contudo, havia também forte resistência entre aqueles que reivindicavam a manutenção dos controles estatais sobre a economia. Esse foi o cenário de fundo do que ficou conhecida como a crise constitucional russa de 1993, quando parlamento e executivo chegaram a um impasse em relação à condução do novo Estado.

A crise se prolongou entre os dias 21 de setembro e 5 de outubro. O presidente Boris Iéltsin encontrava fortes obstáculos para levar a cabo o programa de reformas neoliberais devido a resistências no interior do poder legislativo. Ele então decide dissolver o parlamento, medida considerada por muitos inconstitucional. Abalava-se, assim, o frágil pacto sobre o qual se assentava a transição política na Rússia. Em resposta, o parlamento decreta o impeachment de Iéltsin e proclama o vice-presidente, Alexander Rutskoi, o novo presidente. A partir do dia 28, protestos populares contra a deterioração das condições de vida começam a tomar as ruas de Moscou. O exército é acionado por Iéltsin para pôr fim à crise, desencadeado centenas de mortes em consequência. Decididos a resistir, os membros do parlamento permanecem ocupando a Câmara Branca, sede do poder legislativo. No dia 4, o presidente ordena o bombardeamento do parlamento por tanques de guerra, matando muitos dos seus ocupantes.

A solução de força põe fim à crise, abrindo caminho para uma reconfiguração do regime político. Mais tarde, instaurou-se o Soviete da Federação, a câmara alta sob controle presidencial, e a Duma, câmara baixa eleita pela população. Daí em diante, passando pela sucessão de Boris Iéltsin por Vladimir Putin, o regime político tornou-se cada vez mais fechado e autoritário, em íntima sintonia com os oligopólios econômicos que determinam os rumos da sociedade russa.





1994: "Guerra das Colas"



Apelidada de "Guerra das Colas", a longa disputa publicitária entre Pepsi e Coca-Cola começou ainda no final da década de 1970. Gradualmente, ela deixou de se restringir apenas ao mercado norte-americano para também disputar um mercado mundial em plena expansão.

O vídeo abaixo é de uma campanha publicitária da Pepsi, de 1994, entitulada "Test Evolution With Chimps". O comercial também foi veiculado no Brasil pela mesma época.

No livro "Ouro azul", de Maude Barlow e Tony Clarke, os autores argumentam que a intensificação da batalha entre as marcas era apenas a ponta do iceberg das estratégias das grandes transnacionais para o controle da água envasada. Assim, a “Guerra das Colas”, entre as gigantes PepsiCo e a Coca-Cola, era travada sobretudo no cenário mundial de disputa sobre as fontes aquíferas do planeta.






Manágua, Nicarágua, 20 de junho de 1979. Enquanto a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) ensaia sua ofensiva final contra a ditadura de Anastasio Somoza, a Guarda Nacional é flagrada pela televisão estrangeira executando sumariamente o jornalista norte-americano Bill Stewart, juntamente com seu intérprete. As imagens da execução chocam o mundo, fazendo com que a opinião pública dos EUA colocasse em cheque o apoio do governo Jimmy Carter à ditadura somozista.

Pressionado, Somoza concede entrevista coletiva na qual declara que o assassinato de Stewart fora um acidente isolado e promete punição aos responsáveis. A ditadura chegaria ao fim apenas um mês depois com a entrada da FSLN na capital nicaraguense. Triunfava a Revolução Sandinista, com imenso apoio popular e um programa de profundas reformas sociais. Mas o governo revolucionário logo se enfrentaria com um novo e eficiente inimigo: a contra-guerrilha patrocinada pelo governo norte-americano de Ronald Reagan, eleito presidente dos EUA em 1980.




1983: primeiras notícias da epidemia de AIDS


Os primeiros sinais da epidemia de AIDS começaram a ser conhecidos na passagem da década de 70 para a de 80. No entanto, a doença só é identificada em 1981 e, em 1983, pesquisadores conseguem isolar o vírus do HIV, causador da AIDS, pela primeira vez. Dois anos depois surge o teste que permitiu identificar a presença de anticorpos no sangue, possibilitando detectar pacientes portadores do vírus (que ganha a denominação de HIV apenas em 1986). A primeira droga que auxilia no tratamento da AIDS, o AZT, é criada em 1987.

Hoje, calcula-se que em todo o mundo existam mais de 40 milhões de pessoas infectadas pelo HIV. Um dos efeitos mais marcantes e persistentes do vírus é, sem dúvida, o estigma social criado em torno de seus portadores. Logo de início, em 1982, o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos adotou temporariamente o nome "Doença dos 5 H" para se referir à AIDS,  em referência aos homossexuais, hemofílicos, haitianos, heroinômanos (usuários de heroína injetável) e hookers (nome em inglês dado a profissionais do sexo). Passados mais de 30 anos desde a descoberta do vírus do HIV, são comuns as associações feitas entre seus portadores e grupos sociais estigmatizados, mesmo em países de maior desenvolvimento econômico.

O vídeo abaixo é de uma reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, exibido em 27 de março de 1983. Em tom alarmista e sensacionalista, ele atesta o quanto o assunto ainda era envolto de mistérios à época.


1988: greve dos trabalhadores da CSN


Volta Redonda, novembro de 1988. Trabalhadores da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) entram em greve em resposta à política de arrocho salarial imposta pelo governo do presidente José Sarney. O sindicato exigia, dentre outras reivindicações, reajuste salarial, estabilidade do emprego, jornada semanal de 40 horas, fim da perseguição política e reconhecimento da representação sindical. Após os primeiros atos de repressão contra as manifestações dos trabalhadores iniciados pela Polícia Militar, a CSN é ocupada pelos grevistas no dia 7. A direção da empresa, então estatal, solicita à Justiça reintegração de posse. Após a invasão do exército, no dia 9, o saldo é de três mortos e centenas de feridos. O movimento grevista segue adiante e passa a contar com forte apoio da população de Volta Redonda, que se manifesta através de um abraço simbólico em torno dos 12 quilômetros da usina. A repercussão nacional e internacional é grande, mas governo e exército, cada vez mais deslegitimados, seguem culpando os grevistas pela violência ocorrida. A greve chega ao fim no dia 24, após intensas negociações e vitórias parciais do movimento grevista.

Essa foi a primeira vez que as Forças Armadas entraram em cena para reprimir trabalhadores desde a instauração da Nova República, em 1985. Os episódios em Volta Redonda demonstraram que as elites políticas que dirigiam o processo de transição do regime não abririam mão da violência direta contra a classe trabalhadora organizada, tal como ocorrera durante a ditadura militar. No governo do presidente Itamar Franco (1993-1994) a CSN seria privatizada.



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Este blog busca aproveitar a vasta quantidade de vídeos postados na internet que têm como conteúdo passagens da história política recente. Aqui, breves reflexões são articuladas aos fatos documentados nos vídeos, cujos temas são diversos e dispostos de forma aleatória.